O DIA EM QUE BICHARADA SE ESTRESSOU
O grilo perdeu a perna
Numa briga com a barata
A coruja se achando gata
Foi dar uma de moderna
Caiu em uma cisterna
Comprando briga com o rato
Que já brigava com o gato
Querendo lhe devorar
Aí a porrada cantou
E o delegado gritou:
Eu sou o tamanduá.
Ora deixe de besteira
Disse o tatu atrevido
Deu um tapa no pé do ouvido
Do tamanduá bandeira
Jacaré já bela beira
Estava a observar
Na sua simplicidade
Dando uma de covarde
Pra um bicho qualquer pegar.
Para acabar com a intriga
Chegou a onça pintada
E foi metendo a mãozada
Pisoteando a formiga
Quem nem estava na briga
Mas morreu pisoteada
A anta toda arranhada
Viu o macaco correr!
Pois não queria morrer
Pela onça endiabrada.
A capivara na peia
Gritava, Joana D’arc:
Me salve desse desastre!
Que a coisa aqui está feia
A aranha em sua teia
Foi afogada na terra
O tatu foge e sem enterra
Voou pra longe a arara
E foi pousar numa vara
Bem longe daquela guerra.
Lá por cima o urubu
Ficou dando voo rasante
Só esperando o instante
De comer o seu “tutu”
Mordeu a surucucu
Bem na pata do veado
Que já caiu desmaiado
Causando grande alegria
Ao urubu que já via
O seu almoço jogado.
O jacaré na espera
Para a onça vacilou
Que em cima dele saltou
E o jacaré já era
Perdeu para a maior fera
Da região amazônica
Imponente e “bafônica”
Assim a guerra acabou
Na floresta a paz voltou
De forma alegre e harmônica.
JOEL MARINHO