SE OS HOMENS PARASSEM AGORA AO MENOS POR MEIA HORA
Se os homens tivessem tempo e parassem agora
Ao menos por meia hora tudo o que estão fazendo
E só observassem o ritmo da natureza fixamente
E tão somente apenas por trinta minutos
Entenderiam o que a natureza está dizendo,
Quantos ensinamentos diz uma formiga
Quantas alegrias os pássaros em sinfonia
Quanta sutileza da água caindo da fonte
Quantas alegria vem do horizonte
Com o “nascer” e “morrer” do sol e da lua
Todos os dias tão exuberantes.
Mas os homens estão sem tempo
Apenas há tempo para produzir
E se sentir maior e melhor que outrem.
Trancafiados em escritórios, carros ou apartamentos
Quem tem tempo para observar os passarinhos
Na alegria de fazer seus ninhos
No seu vai e vem para os filhos alimentar?
Quem para observar as flores que cruzam em seu caminho?
Se é rosa, se é cravo, se é amarelo ou vermelho
O homem mal tem tempo de se ver no espelho
E quando se olha ver sua imagem distorcida
Não tem a mesma desenvoltura que as das redes sociais
Carregadas de filtros que lhes deixa lindo
A imagem e semelhança que sua ilusão criou.
Senhores e senhoras, eu só queria meia hora!
Que todos parassem ao menos uma vez por dia
Para cultivar uma planta, para ler uma poesia.
Mas é inútil, sei que é inútil a minha apelação
Tão inútil quanto o tempo perdido para escrever esse texto
Que ficará por aí e ninguém lerá até aqui
Porque seus tempos estão comprados
E suas correrias os impede de parar trinta minutos,
Pois quando lerem o título dirão: É para eu ler tudo isso?
Escrevo mesmo como forma de provocação
Mesmo sabendo que o meu título não provocará ninguém,
Afinal de contas, ninguém tem tempo para mais nada
Só correria nessa louca e infinita estrada
Que nunca saberemos onde ela termina
Embora todos busquem encontrar seu pote de ouro
Lá no finzinho do arco íris colorido.
Todos buscam a ilusão da plena felicidade
Todos se cruzam no vai e vem das grandes cidades
Todos se veem, mas quase ninguém se enxerga
E a ilusão de ser feliz desaparece
Quando no fim da linha da vida não encontra o pote de ouro
Porque na verdade o ouro estava espalhado
E diluído em todas as pessoas que passaram
Em todas as flores vistas e não percebidas
Em todos os cantos dos pássaros ouvidas e não escutadas
Em todas as poesias que folheava e não lia
Em todas as fotos tiradas e guardadas na memória do celular
E nunca teve trinta minutos para as observar
A felicidade sempre, mas sempre esteve lá
E por “falta” de tempo você nunca a observava.
E eu que só queria trinta minutos
Menos que o tempo gasto nesse texto inútil
Que agora jaz na galeria do celular de muita gente
Mas ninguém teve tempo para ler
O que levaria o tempo de no máximo cinco minutos.
JOEL MARINHO