Joel Marinho
Entre letras e versos
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Textos

SE OS HOMENS PARASSEM AGORA AO MENOS POR MEIA HORA

Se os homens tivessem tempo e parassem agora

Ao menos por meia hora tudo o que estão fazendo

E só observassem o ritmo da natureza fixamente

E tão somente apenas por trinta minutos

Entenderiam o que a natureza está dizendo,

Quantos ensinamentos diz uma formiga

Quantas alegrias os pássaros em sinfonia

Quanta sutileza da água caindo da fonte

Quantas alegria vem do horizonte

Com o “nascer” e “morrer” do sol e da lua

Todos os dias tão exuberantes.

Mas os homens estão sem tempo

Apenas há tempo para produzir

E se sentir maior e melhor que outrem.

Trancafiados em escritórios, carros ou apartamentos

Quem tem tempo para observar os passarinhos

Na alegria de fazer seus ninhos

No seu vai e vem para os filhos alimentar?

Quem para observar as flores que cruzam em seu caminho?

Se é rosa, se é cravo, se é amarelo ou vermelho

O homem mal tem tempo de se ver no espelho

E quando se olha ver sua imagem distorcida

Não tem a mesma desenvoltura que as das redes sociais

Carregadas de filtros que lhes deixa lindo

A imagem e semelhança que sua ilusão criou.

Senhores e senhoras, eu só queria meia hora!

Que todos parassem ao menos uma vez por dia

Para cultivar uma planta, para ler uma poesia.

Mas é inútil, sei que é inútil a minha apelação

Tão inútil quanto o tempo perdido para escrever esse texto

Que ficará por aí e ninguém lerá até aqui

Porque seus tempos estão comprados

E suas correrias os impede de parar trinta minutos,

Pois quando lerem o título dirão: É para eu ler tudo isso?

Escrevo mesmo como forma de provocação

Mesmo sabendo que o meu título não provocará ninguém,

Afinal de contas, ninguém tem tempo para mais nada

Só correria nessa louca e infinita estrada

Que nunca saberemos onde ela termina

Embora todos busquem encontrar seu pote de ouro

Lá no finzinho do arco íris colorido.

Todos buscam a ilusão da plena felicidade

Todos se cruzam no vai e vem das grandes cidades

Todos se veem, mas quase ninguém se enxerga

E a ilusão de ser feliz desaparece

Quando no fim da linha da vida não encontra o pote de ouro

Porque na verdade o ouro estava espalhado

E diluído em todas as pessoas que passaram

Em todas as flores vistas e não percebidas

Em todos os cantos dos pássaros ouvidas e não escutadas

Em todas as poesias que folheava e não lia

Em todas as fotos tiradas e guardadas na memória do celular

E nunca teve trinta minutos para as observar

A felicidade sempre, mas sempre esteve lá

E por “falta” de tempo você nunca a observava.

E eu que só queria trinta minutos

Menos que o tempo gasto nesse texto inútil

Que agora jaz na galeria do celular de muita gente

Mas ninguém teve tempo para ler

O que levaria o tempo de no máximo cinco minutos.

JOEL MARINHO

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 13/08/2025
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