FOFOCA HISTÓRICA
Muita audácia de D. Pedro
Puxar sua faca de serra
E lá no Ipiranga berra
Acabou esse degredo!
É Independência sem medo
Sou o rei dessa bagaça
Aqui ninguém me embaça
Nem mesmo o velho D.João
Se não quer ir pro facão
Cumpra minhas ordens e faça.
D João disse, moleque
Trata de me respeitar!
Que eu mando te buscar
Tu para desse pileque!
Basta eu cortar teu cheque
Pra te desmontar todinho
Não mando mais o teu vinho
Acabou tua mordomia
Deixa de patifaria
Estás muito amostradinho.
D. Pedro disse, paizinho
Pare com esse seu show
Esse que sempre te amou
Gosta do cheque e do vinho
Vamos conversar baixinho
Está tudo dominado
Sou o rei desse Estado,
Mas príncipe de Portugal
Veja, isso não é mal
Posso ser o rei de lá
Vamos tudo acertar
E cheque-mate no final.
D. João parou e pensou:
Esse moleque é danado
Entendeu bem o recado
Que o velho aqui ensinou
Bem certinho ele amarroru
Pra enganar os brasileiros
Deu o seu "tiro" certeiro
E nem contou com a sorte
Deu uma de macho forte
Nas margens do Ipiranga
Gritou com cara de zanga
É Independência ou morte!
Foi assim que em vinte cinco
Lá do século dezenove
Todo o embróglio se resolve
Sem guerra, mas com afinco
Levaram colar e brinco
Pra pagar a Inglaterra,
Mas o Brasil não quis guerra
Pagou tudo caladinho
Sem briga e sem burburinho
E a fofoca histórica encerra.
JOEL MARINHO