Joel Marinho
Entre letras e versos
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A ESPETACULARIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Por Joel Marinho

Um tiro certeiro na jugular de um homem faz jorrar o líquido vermelho da vida em pleno espaço público dentro de uma universidade nos Estados Unidos da América e, nos dias seguintes se torna um campo de batalha nas narrativas de dois lados antagônicos que se digladiam entre si e parece não estar nem um pouco preocupado com a paz e a cordialidade a qual deveria existir entre os homens, mesmo com seus adversários políticos.

Ao contrário, o que se ver é a alimentação gratuita do ódio de ambos os lados. Enquanto um grupo comemora o ato destituído de préstimo o outro aproveita o líquido vermelho escorrendo ainda quente igual a um vampiro para tirar proveito político se utilizando das redes sociais na pura intencionalidade de arrancar likes e futuros votos.

Mas quem está realmente preocupado com a crescente violência na política?

Na verdade, ao que tudo indica a fomentação da violência por intermédio do discurso alimenta os sanguessugas preocupados apenas com a sede do poder político e do dinheiro, pouco importa para eles a vida humana, por isso quanto maior for a espetacularização da violência melhor será para angariar mais votos e mais tempo no poder.

Para Aristóteles, “A violência é um ato de coação e injustiça que se opõe à natureza humana e à busca da felicidade, sendo a justiça e a boa governança os principais meios para evitá-la.”

Mas pelo que percebemos essa prática pensada há tanto tempo por Aristóteles continua sendo uma falta humana grave, de acordo com essa realidade a qual atravessamos em pleno século 21, nos parece que ainda estamos vivendo em um tempo pelo menos 500 anos antes de Jesus Cristo.

E por falar em Jesus Cristo, não que esse texto tenha a pretensão de imprimir um arcabouço moral, mas como a maioria das pessoas de ambos os lados pregam o amor que é atribuído a esse personagem histórico/religioso nos parece que sua principal pregação foi abandonada há muito tempo, aliás, nem sei se realmente o seu ensinamento sobre amor ao próximo foi colocado em prática por nós humanos.

Em pleno século 21, após tantas experiências histórias, após vencermos a violência gratuita do grande Império Romano e da Idade Medieval parece não termos aprendido nada. Os grandes espetáculos nas arenas romanas onde dois ou mais homens se enfrentavam até a morte, os gritos de horror dos cristãos sendo devorados por animais famintos, a força da espada do período medieval e o som da guilhotina na Revolução Francesa ainda está arraigado em nós, marcado no nosso DNA.

E assim vamos alimentando o nosso ódio contra outras pessoas. Queremos ver as armas em jogo e vibramos quando mais um que não seja nós, tomba nesse espetáculo dos horrores. O sangue explodindo riscando o ar de forma espetacular para enfim lamber a terra parece pintar o quadro mais perfeito do horror e alimentar a visão e o coração dos humanos.

Mas...

Alguém já se perguntou: e se o próximo for eu ou alguém a quem estimo tanto a tombar?

Falamos tanto de empatia e amor ao próximo, no entanto, parece não termos entendido nenhuma vírgula sobre esses dois conceitos e isso, infelizmente está impregnado nos dois lados, nas duas extremidades. E assim vivemos e alimentamos essa violência espetacularizada aguardando um novo espetáculo amanhã.

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 13/09/2025
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