A CIDADE DAS MANGUEIRAS
Quantas saudades me traz
A cidade das mangueiras
A minha musa primeira
Que eu sinto falta demais
Daqueles tempos que jaz
Quando eu andava com fé
Não era um tempo qualquer
Caminhava em oração
Com o meu terço na mão
No círio de Nazaré.
O círio é um bem sagrado
Para o povo do Pará
Quando envolvimento há
Para ser abençoado
Com o banho de fé tomado
Vem o tucupi com o pato
A maniçoba no ato
Completa o belo almoço
A tarde aquele alvoroço
A minha saudade é fato.
Nem que eu ande o mundo inteiro
E conheça cada lugar
Sempre me pego a pensar
Naqueles tempos primeiros
Um pequeno brasileiro
Que chegou de muito além
Tinha como único bem
A vontade de estudar
Logo foi se apaixonar
Pela morena, Belém.
Hoje esse velho poeta
Tem bagagem em sua história
Honra sua trajetória
Nem o tempo o aquieta
Já não anda em linha reta
Nem espera cair do céu
Ele é seu papai Noel
E a vida vai registrando
Versos com versos rimando
Nos folhetos de cordel.
JOEL MARINHO