Joel Marinho
Entre letras e versos
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MONÓLOGO (falando às paredes)

Por Joel Marinho

E qual aluno no século 21 embebido em toda essa parafernália tecnológica de informacional está preocupado em aprender a História, as questões sociais, os problemas ambientais ou a complexidade da vida? Para eles isso é tão enfadonho, ninguém ou quase ninguém quer saber de nada, a aula virou um monólogo onde a fala da/o professor/a reverberam apenas a ela/e mesmo. Quase ninguém sente mais emoção em querer aprender, salvo algumas almas iluminadas pelas ideias do conhecimento e isso se torna um cansaço constante a nós professores, foi o que senti quando parei minha aula, peguei caderno e caneta para escrever esse texto, o pior é que de uma turma com cerca de 30 alunos ninguém reclamou por eu parar de explicar um assunto as vésperas do vestibular, ao contrário, parece que sentiram um grande alívio.

Os celulares tomaram a vida e o cérebro da maioria, já não sabe a que vieram, tampouco o que estão fazendo dentro de uma sala de aula. O brilho nos olhos do professor apaixonado pelo que faz já acompanha o ritmo daquela música tocada por aí: “Estou sentindo as minhas forças indo embora”, tudo parece desmoronar, toda a sua crença na mudança social por meio da educação começa a se tornar obsoleto e os pensamentos de abandonar tudo isso e buscar novos ares começam a se tornar mais fluente a cada entrada em sala de aula.

O gosto do professor pela pesquisa para trazer coisas novas já se esgotou. Afinal, para que buscar melhorar as aulas se tudo o que for dito se tornará verdade absoluta, pois a limitação cerebral e no corpo da maioria dos alunos está visível? Basta falar qualquer coisa que quase ninguém vai questionar, só precisam ter em seus boletins no final do ano a nota mínima para passar à próxima fase mesmo sem ter entendido nem o sentido de o porquê eles estão ali.

A minha pergunta é: Será que ainda vale a pena estar nisso? A sala de aula antes tão prazerosa e hoje esse imenso marasmo ainda traduz alguma coisa? Ainda sou necessário nessa engrenagem tão desestimulante?

São muitas perguntas ainda sem resposta nesse meu monólogo maluco que parece estar fora de órbita, tem uma plateia grande, porém inerte, morta.

Mas como foi frisado algumas vezes no texto acima a frase “quase ninguém” é que ainda me move nessa empreitada desestimulante, porque no meio desse todo ainda existem algumas pessoas capazes de manter acesa uma pequena fagulha de esperança no futuro, porém já quase apagada, pois como diria Nelson Rodrigues, “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.

 

 

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 24/09/2025
Alterado em 25/09/2025
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