BEIRA RIO (entre biodiversidade e desigualdade social)
Por Joel Marinho
A Beira Rio – só para atualizar o leitor não local que estamos falando de uma avenida na cidade de Manaus e não do estádio Beira Rio no Rio Grande do Sul – mede exatamente 1.050 metros e apesar de estar localizada no coração do bairro do Coroado, ainda há nela uma biodiversidade incrível de pássaros, árvores e até jacarés que circulam por ali “tranquilamente” lutando para sobreviver. Garças, Coró-Coró, socós, sabiás, bem-te-vis e outros diversos pássaros completam o belo cenário, apesar do odor que já exala devido a quantidade de esgotos que desaguam sem nenhum tratamento naquilo que um dia foi um riacho onde os primeiros moradores, segundo os relatos por mim ouvidos tomavam banho e lavavam suas roupas.





Assim como em todas as grandes cidades ocupadas sem nenhum tipo de atuação do Estado inicialmente, o Coroado passou por esse fenômeno, hoje já bairro formado passa por modificações política, econômica e social, pode-se inclusive afirmar que existe hoje uma certa elitização com casas caras, aluguéis com preços elevados e padrões de vida médio.
No entanto, como toda grande cidade mesmo havendo essa elitização há situações difíceis quando se trata de desigualdades sociais e o que vemos hoje na Beira Rio são muitas pessoas que convivem ali literalmente dentro do esgoto, sobretudo venezuelanos.

São pessoas viciadas as quais se encontram em uma situação deplorável sem o olhar dos órgãos públicos responsáveis por organizar a cidade, a sociedade e o meio ambiente.
Fecham-se os olhos para o que acontece às nossas vistas, são pessoas/zumbis drogadas que sobrevive naquele ambiente inadequado desprezadas de quase toda a humanidade. Não estou aqui criticando aquelas pessoas, não sei quais foram os motivos que as levaram elas àquilo, nem também sei quais programas ou se tem dinheiro suficiente na prefeitura para intervir naquela situação, só sei que algo precisa ser feito, do contrário toda a Beira Rio será transformada em uma cracolândia manauara.
Saio sempre de madrugada para fazer minha caminhada/corrida diária e me deparo com aquela situação e a pergunta que não me sai da cabeça é: será que não há um departamento na prefeitura ou estado que possa organizar essa situação? Fica aí a pergunta de um cidadão preocupado com o futuro não apenas da Beira Rio, mas de todo o Coroado e, consequentemente, Manaus.
Temos uma avenida linda, quase cem por cento uma reta e houve de certa forma uma revitalização da via pela prefeitura, há uma biodiversidade que poderia se tornar um espaço essencial do Coroado para as crianças observar os animais silvestres sem a necessidade de ir distante. Caso houvesse tratamento de esgoto quem sabe o rio voltaria a se tornar apropriado para banho, assim como manter as espécies já existentes e quem sabe até chegar novas espécies.
Creio que tudo se resolveria com duas coisas essenciais vindas do Estado, políticas públicas aplicadas com seriedade e educação às crianças por meio da educação escolar. Além disso aplicar no bolso dos adultos o aperto através de multas a quem desobedecesse a lei e jogasse lixo no rio.
Com relação àquelas pessoas viciadas creio ser hora dos órgãos competentes agir, caso contrário teremos problemas futuros iguais aos que hoje ocorre em São Paulo quando prefeitura e estado de diversos governos fecharam os olhos e quando pensaram em agir já era tarde demais, parte da cidade foi tomada por “zumbis”.