Joel Marinho
Entre letras e versos
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Textos

FILHO GERADO POR IA

Depois que a IA surgiu

Tudo é a IA que faz

Ê coisa do satanás

O mar já corre pro rio

O mundo é um desvario

Já ando até com medo

Pensei que não fosse cedo

Que iria acontecer

Nasce o primeiro bebê

Feito pela IA em segredo.

 

Eu conheci um casal

Novo e recém casado

Casaram-se apressados

Por paixão descomunal

Porém mexeu o mingau

E bagunçou o angu

Foram do Norte pro Sul

Lá a coisa desandou

O fogo se apagou

Igual natal sem peru.

 

Ela começou entrar

Em sites de amizades

E ele sem ter coragem

Do casamento acabar

Disse, isso é só IA

De chifres nem tenho medo

Ela com a ponta dos dedos

Teclava já noite e dia

Com quem ele não sabia

Era sempre em segredo.

 

Ele ia trabalhar

Todo dia de manhã

Um celular da maçã

A ela resolveu dar

E disse, pode teclar

Da IA somos amigos

Mal sabia do perigo

Que ele estava passando

E a vida assim foi levando,

Mas longe do tempo antigo.

 

E ela desempregada

Um dia disse, meu nego

Eu vou procurar emprego

Porque a hora é chegada

Vou meter o pé na estrada

Ele disse, muito bem

Nisso eu concordo também

Apoio a sua empreitada

Vá na sua caminhada

Falou ele sem desdém.

 

Os tempos foram passando

Todo dia ela saía

Quando voltava dizia

Ninguém mais está empregando

Ela aos poucos foi mudando

E foi crescendo a barriga

Veio também as intrigas,

Pois ele desconfiado

Dizia, fui tapeado

Por essa mulher de uma figa.

 

Ele então criou coragem

Disse, você me enganou!

Como é que engravidou?

Usando de trairagem

Quem dera fosse miragem

Isso que eu estou vivendo

Ela lhe sorriu dizendo

Você está vendo visagem.

 

Se é isso que está pensando

Deixa que vou lhe explicar

Engravidei da IA

Com quem estava teclando

Homem, o mundo está mudando

Tudo é tecnologia

E você nessa agonia

Já vem pensando besteira

Engravidei de primeira

Veja que linda magia.

 

Ele abriu um sorriso

E falando, meu amor

Agora a raiva passou

Me sinto no paraíso

Desculpem, sou indeciso,

Porém prometo mudar

Queira a mim perdoar

Toda essa desconfiança

Eu agi igual criança,

Porém de você preciso.

 

Quando o menino nasceu

Foi que ele tomou um susto

Era a cara do Inácio Augusto

Que era vizinho seu

Aí foi que o véu desceu

Não queria acreditar

Sorriu para não chorar

Sentiu-se fora do trilho

Porque o pai do seu filho

Assinava com a sigla IA.

 

Mas o corno é mesmo assim

Sempre é o último a saber

Não cuidou, pagou pra ver

Da mulher que disse sim

Levou foi galha no fim

Quem manda ser descuidado

Deixou seu amor de lado

De bandeja pra IA

Então mereceu levar

Um chifre bem colocado.

 

E você que está me lendo

Cuide bem do seu amor

Não seja um estupor

Porque a AI está vendo

O mar pro rio está correndo

E a correnteza está forte

O Sul está virando Norte

Obeso virando atleta

Aja de forma correta

Não venha brincar com a sorte.

JOEL MARINHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 11/11/2025
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