FILHO GERADO POR IA
Depois que a IA surgiu
Tudo é a IA que faz
Ê coisa do satanás
O mar já corre pro rio
O mundo é um desvario
Já ando até com medo
Pensei que não fosse cedo
Que iria acontecer
Nasce o primeiro bebê
Feito pela IA em segredo.
Eu conheci um casal
Novo e recém casado
Casaram-se apressados
Por paixão descomunal
Porém mexeu o mingau
E bagunçou o angu
Foram do Norte pro Sul
Lá a coisa desandou
O fogo se apagou
Igual natal sem peru.
Ela começou entrar
Em sites de amizades
E ele sem ter coragem
Do casamento acabar
Disse, isso é só IA
De chifres nem tenho medo
Ela com a ponta dos dedos
Teclava já noite e dia
Com quem ele não sabia
Era sempre em segredo.
Ele ia trabalhar
Todo dia de manhã
Um celular da maçã
A ela resolveu dar
E disse, pode teclar
Da IA somos amigos
Mal sabia do perigo
Que ele estava passando
E a vida assim foi levando,
Mas longe do tempo antigo.
E ela desempregada
Um dia disse, meu nego
Eu vou procurar emprego
Porque a hora é chegada
Vou meter o pé na estrada
Ele disse, muito bem
Nisso eu concordo também
Apoio a sua empreitada
Vá na sua caminhada
Falou ele sem desdém.
Os tempos foram passando
Todo dia ela saía
Quando voltava dizia
Ninguém mais está empregando
Ela aos poucos foi mudando
E foi crescendo a barriga
Veio também as intrigas,
Pois ele desconfiado
Dizia, fui tapeado
Por essa mulher de uma figa.
Ele então criou coragem
Disse, você me enganou!
Como é que engravidou?
Usando de trairagem
Quem dera fosse miragem
Isso que eu estou vivendo
Ela lhe sorriu dizendo
Você está vendo visagem.
Se é isso que está pensando
Deixa que vou lhe explicar
Engravidei da IA
Com quem estava teclando
Homem, o mundo está mudando
Tudo é tecnologia
E você nessa agonia
Já vem pensando besteira
Engravidei de primeira
Veja que linda magia.
Ele abriu um sorriso
E falando, meu amor
Agora a raiva passou
Me sinto no paraíso
Desculpem, sou indeciso,
Porém prometo mudar
Queira a mim perdoar
Toda essa desconfiança
Eu agi igual criança,
Porém de você preciso.
Quando o menino nasceu
Foi que ele tomou um susto
Era a cara do Inácio Augusto
Que era vizinho seu
Aí foi que o véu desceu
Não queria acreditar
Sorriu para não chorar
Sentiu-se fora do trilho
Porque o pai do seu filho
Assinava com a sigla IA.
Mas o corno é mesmo assim
Sempre é o último a saber
Não cuidou, pagou pra ver
Da mulher que disse sim
Levou foi galha no fim
Quem manda ser descuidado
Deixou seu amor de lado
De bandeja pra IA
Então mereceu levar
Um chifre bem colocado.
E você que está me lendo
Cuide bem do seu amor
Não seja um estupor
Porque a AI está vendo
O mar pro rio está correndo
E a correnteza está forte
O Sul está virando Norte
Obeso virando atleta
Aja de forma correta
Não venha brincar com a sorte.
JOEL MARINHO