Joel Marinho
Entre letras e versos
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O LEÃO E O RATINHO

FÁBULA DE ESOPO VERSÃO EM CORDEL

POR JOEL MARINHO

Já cansado de caçar

O rei leão se deitou

À sombra de uma árvore

E ali no sono pegou

Porém um bando de ratos

Fuçando dentro do mato

O rei da selva acordou.

 

Vendo o leão acordado

Os ratos deram no pé

Gritando desesperados

Seja o que Deus quiser

Porém o mais pequenino

Foi para as garras do felino

Que logo apelou pra fé.

 

Ó, meu senhor, rei leão

Por tudo que é mais sagrado

Perdoe a esse rato

Esse súdito abestalhado

Se me deixar eu viver

Vou pra sempre agradecer

Esse seu gesto adorado.

 

O leão pensou um pouco

E disse, meu bom rapaz

Pegue o beco, vá embora!

Mas peço, não peques mais

Não atrapalhe meu sono

Fica esse como abono

Me deixe dormir em paz.

 

O ratinho agradeceu

E se danou na corrida

Se encontrou com os seus

De uma forma esbaforida

Fez uma grande oração

Com fé e dedicação

Por não ter perdido a vida.

 

Logo os anos se passaram

E um dia o rei leão

Caiu numa armadilha

Ficou suspenso do chão

Sem poder fazer mais nada

Sentiu as forças tomadas

Não via mais solução.

Preso ali naquela rede

Esturrava feito louco

Os bichos se aproximavam,

Mas o medo não era pouco

Ele naquela agonia

E ninguém se atrevia

Tirar ele do sufoco.

 

Se lembrou da musiquinha

Naquela infeliz hora

Aquele refrão que diz

“Estou sentindo forças indo embora”

Uma lágrima lhe caiu

Foi então que ele ouviu

Um barulho de outrora.

 

O ratinho vendo aquilo

Se aproximou devagar

E disse, meu rei leão

Procure se acalmar

Fique aí bem quietinho

Que o teu súdito ratinho

Devagar vai te soltar.

 

Foi assim que o ratinho

Como os amolados dentes

Foi roendo devagar

E cortando as “correntes”

Até que o rei leão

Sentiu as patas no chão

E a vida de presente.

 

- Obrigado, mestre rato!

Por salvar a minha vida

Se não tivesse chegado

Era a minha despedida

Jamais me esquecerei

Pelo favor que me fez

Eu estava sem saída.

 

Disse o rato, majestade

Estou aqui pra lhe servir

Você tem bom coração

Um dia me deixou ir

Mesmo com tanto poder

Deixou seu súdito viver

E hoje estamos a sorrir.

 

E os dois se despediram

Cada qual foi para um lado

O leão muito contente

E o rato lisonjeado

Por ter salvado o leão

Da triste situação

Naquela rede, enjaulado.

 

Fica a nós a lição

Amor com amor se paga

Se o leão matasse o rato

Seria a ele uma chaga

Outra chance não teria

E na rede morreria

De forma nefasta e vaga.

 

Pregue o amor não a guerra

Violência deixe pra lá

Seja grande ou pequeno

É sempre bom respeitar

Deixe o outro viver,

Pois nunca vamos saber

Quando dele precisar.

 

 

 

 

 

 

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 02/12/2025
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