AS RÃS E O TOURO
Naquele pequeno pasto
Dois touros moravam lá
Porém nunca se uniam
Viviam a se digladiar
Enquanto no brejo ao lado
Um lar de rãs sossegado
Riam ao ver os dois brigar.
Quando os dois se encaravam
Fedia a chifres queimados
Violentas cabeçadas
E o capim pisoteado
As rãs em vivas cantavam
Da violência gostavam
Sem pensar no resultado.
Porém havia uma rã
Era a mais velha do bando
Com sua observação
Perguntava, até quando
Vocês vão ficar a sorrir?
Até um deles cair
Em nosso brejo mandando.
No entanto, as rãs sorriam
Zombando do velho ser
Os mais novos se gabavam
Quiseram pagar pra ver
Até chegou o tal dia
Que um dos touros caía
E foi no brejo viver.
Todo cheio de moral
Como rei se coroou
E com maior arrogância
O rei das rãs destronou
Escravizou todas elas
Dos mais velhos as donzelas
E dali pra frente reinou.
Eis a moral da estória
Que nos serve de lição,
Pois quando dois grandes brigam
Já preste bem a atenção
Não fique na encruzilhada
Qual bobo dando risadas
Pra não cair na prisão.
Existe uma grande crítica
Que vem dos tempos primeiros
Não se meta em política
Se você não tem dinheiro
Não se ria de ninguém
Há mal apesar do bem
Tudo no mesmo paneiro.
JOEL MARINHO