ÀS PÁGINAS O MEU RESPEITO
Nesse século vinte e um
Vivemos grande dilema
Trocamos livros por telas
Gerando grande problema
Vai-se o amor a leitura
E morre a literatura
Com poesia e poema.
Não que eu seja radical
E odeie a tecnologia
Ao contrário, ela ajuda
Gerando grande magia
O problema é o ser humano
Que vive em grande engano
E acredita na máquina fria.
Me chamem de obsoleto
Por amar o meu caderno
Usar lápis e caneta
A mim eles serão eternos
Pode faltar energia
E mesmo nas tardes frias
Surgem poemas modernos.
Porque a mim não importa
O melhor computador
O celular mais moderno
Com seu brilho sedutor
Se o que ele prioriza
É o que me idiotiza
Longe de mim, por favor!
As crianças estudarem
Não é mais prioridade
O professor faz de tudo
Para mostrar a verdade
Pedir pra fazer leitura
É sinônimo de tortura
E não mais felicidade.
Eu sei que podemos ler
Na tela do celular,
Mas aí mora o perigo
Bem fácil de explicar
Vem a notificação
Pra tirar sua atenção
E o raciocínio cortar.
Então, ler em celular
É uma barca furada
A luz direto nos olhos
Deixa a vista embaçada
E quando acaba a leitura
Coitada da criatura
Não lembra de quase nada.
Mesmo com a tecnologia
Eu prefiro os meus livros
Meu lápis para riscar
Deles eu nunca me livro
Vivo sem computador
Mas o livro é meu amor
Juro, sem ele não vivo.
Mas a nova geração
Não enxerga desse jeito
Chamam-me de ultrapassado
Talvez isso é meu defeito,
Porém eu vou caminhando
Com os livros dialogando
Às páginas tenho respeito.
E se um dia por acaso
O velho livro morrer
Os que eu tenho em casa
Na estante há de viver
Só peço a quem me enterrar
Todos eles colocar
Para lá no céu eu ler.
Espero que lá no céu
Ainda tenham guardado
Todos os livros da terra
No cantinho mais sagrado
E quando eu por lá bater
Tenha um espaço pra ler
Arejado e sossegado.
E que lá não tenha tela
E nem a tal de IA
Só a nossa inteligência
Que só Deus pôde criar
E que todos possam ler
Com tempo para entender
Sem tela de celular.
E que as nossas crianças
Leiam com mais liberdade
Não vejam mais vídeos curtos
Repletos de falsidades
Que essa tela cruel
Não chegue até o céu
Que reine a felicidade.
JOEL MARINHO