Joel Marinho
Entre letras e versos
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O SONHO DE RAFAEL ATUALMENTE

Nascido em um local longe de tudo o que era cidade, Rafael cresceu vendo bichos, armando arapucas e usando estilingue para pegar pássaros de todas as espécies ele foi moldado na vida dura do campo. Na alimentação havia outros animais como coelhos, macacos, tatu, paca, cotia, anta, capivaras e tantos outros que faziam parte de seu cardápio.

É, mas a vida é uma caixinha de surpresas, de repente em plena adolescência Rafael se viu perdido dentro de uma grande cidade onde a baforada dos carros, a buzina e os barulhos constantes agrediam loucamente os seus tímpanos, porém foi preciso se habituar a todo aquele alvoroço. Era gente demais todos juntos e misturados, mas ao mesmo tempo ninguém se conhecia, tão diferente da sua realidade anterior, no local em que morava todos se conheciam e qualquer ocorrência fazia parte de toda a comunidade. Além disso seu cardápio agora era essas guloseimas como cachorro quente e outras coisas perigosas a saúde.

Rafael não se intimidou, aproveitou todas as oportunidades e buscou se impor dentro daquele ambiente ao qual a vida o colocou chegando a cargos impensáveis diante a sua origem tão humilde.

Mas o tempo passou e Rafael mesmo habituado à sua nova vida jamais se acostumou a aquela situação, sentia uma saudade tão grande da tranquilidade do campo, as cabras berrando, os jegues zurrando, o galo acordando as cinco da manhã e despertando a comunidade, os banhos no açude, os dias sem pressa e sem a correria das grandes cidades.

E ele só quer fugir das buzinas desesperadas dos carros ao abrir o sinal, do palavrão desaforado da mulher que grita ao ser fechada em uma pista perigosa, do homem que esbraveja e atira sem nenhuma razão em seu semelhante em mais uma briga de trânsito sem sentido. Todos só queriam chegar em casa, mas infelizmente algum pai ou mãe de família não conseguiu chegar por uma ação desmedida de mais um maluco cheio de drogas lícitas ou ilícitas sem nenhum grau de civilidade.

O cansaço bate em Rafael que desesperadamente quer fugir de tudo isso para pescar sossegado as margens de um riacho onde a única preocupação mais evidente é se livrar da picada de uma cobra, tão menos perigosa que alguém com uma arma de fogo nas mãos e uma ira desmedida nos olhos e no coração.

JOEL MARINHO

 

 

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 05/04/2026
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