O FREUD TINHA RAZÃO
Pra quê estudar, meu filho?
Perguntou-me um senhor
Conheço quem estudou
Que a vida é só empecilho
Só anda fora dos trilhos
E não tem nada na vida
No semblante uma ferida
Já havia me denunciado
O seu ego vil, frustrado
E a esperança perdida.
Percebi que o tal senhor
Não realizou seu sonho,
No seu olhar enfadonho
Uma lágrima triste aflorou
A arrogância acabou
Quando assim eu o falei
Nem tudo o que sabe eu sei
Na humildade eu me pego
Porque em terra de cego
Quem tem um só olho é rei.
Estudar nem sempre é
A ganância por dinheiro
Andar pelo mundo inteiro,
Porém nunca andar a pé
Nem sempre quem mais tem fé
Vive na religião
Na igreja até o cão
Está no banco sentado
Ter saber é um estado
Que nos faz feliz ou não.
Quem estuda sempre alcança
Algum estado de graça
Por mais que haja desgraça
Há sempre uma esperança
Um espírito de criança
Faz o sonho renascer
E no campo florescer
Uma enorme magia
Estudar traz alegria
É divino aprender.
O homem baixou a “crista”
E nada mais esboçou
Na garganta um nó formou
Enevoando a vista
Ao anular minha conquista
Chamou a minha atenção
O Freud tinha razão
Quando deixou seu legado
Mostrou que o pobre coitado
Projetava sua frustração.
Nunca foi bom estudar
Eu digo isso e garanto
Todavia, no entanto,
Nós não podemos negar
Que para o pobre alcançar
Um pouco de paz na vida
Estudar é uma saída,
Mas um duro investimento
Pra conseguir bom intento
A caminhada é doída.
JOEL MARINHO