O PESO DA DEPENDÊNCIA
Quando o marido morreu
Ela até sentiu alívio
Aquele cruel convívio
Era o pesadelo seu
Tudo dela ele escolheu
Agora era a ocasião
Sua primeira decisão
Ela não soube fazer
Era só para escolher
Qual cor teria o caixão.
Essa triste dependência
Tem muita mulher que passa
Toda uma vida sem graça
Uma terrível existência,
Mas tudo tem consequência
Precisamos aprender
Não vamos tudo fazer
Levar nas costas o mundo
Porém depender em tudo
É existir sem viver.
Isso serve de alerta
Para mulheres e homens
A dependência consome
Tornando a vida incerta
Não abre às descobertas
Só vive em necessidade
Nunca é alguém de verdade
Vive na sombra do outro
O chamado peso morto
Envolto em infelicidade.
JOEL MARINHO