O GRANDE MISTÉRIO
Enquanto um canto entonava
Um pranto um tanto rolava
Daqueles enuviados olhos.
E a manta que aquecia de manhã
Roçava na maciez da maça
Daquele rosto cerrado e negro.
É a pura sensação de dor
Na face onde antes já fora amor
Agora é a expressão do degredo.
Que dor era aquela que tanto doía
Onde está o fogo que aquecia
A doce alegria daquela menina?
Ninguém sabia ou nem percebia
A bela aurora que fora um dia
Tornou-se tortura de solidão.
JOEL MARINHO