A MENINA DOS CABELOS LONGOS
Georgina foi criada
Em família tradicional
Que preza cabelos longos
Como modelo ideal
Nada de muito adereço
Para não pagar o preço
Naquele fogo infernal.
Cresceu com aquele zumbido,
Mas sempre fora teimosa
Não gostava de ser flor
E sim o espinho da rosa
Chamada de insolente
Sempre batera de frente
De forma bem afrontosa.
Quando “casou” mais um golpe
Ao ouvir do seu marido
Que mantivesse o cabelo
Liso e sempre comprido
O seu ódio só crescia
Ela falava, um dia
Dou à vida um sentido.
Veio então o grande dia
Que ela se libertou
Pegou pente e a tesoura
E o seu cabelo cortou
Sentiu no peito a leveza
Que já não era mais presa
Da vida a chance ganhou.
O ato de cortar cabelo
Ela levou para a vida
Toda vez que ele cresce
Sua alma fica ferida
E o fato de cortar
Faz ela se renovar
De uma noite perdida.
Tal Fênix que se renova
Das cinzas de manhã cedo
Quando ela corta o cabelo
É como cortar o medo
Por isso esse ritual
Que livra ela do mal
Daquela vida em degredo.
JOEL MARINHO