LIBERTOS, PORÉM NÃO LIVRES
Viva a nossa liberdade!
É o fim da escravidão
Gritava a todo pulmão
Sem ver a dura verdade
Daquela forma covarde
Que a Lei Áurea traçou
Só disse que libertou,
Porém não deu condição
Casa, terra, educação
Nenhum liberto ganhou.
No dia treze houve festa
Dança, cachaça, alegria
Porém no raiar do dia
Quando a luz entrou na fresta
O ex-dono não contesta,
Porém expulsa pra rua
Aqui não tem coisas suas
Peguem suas liberdades
E a nova realidade
Se apresentava nua e crua.
O sonho de liberdade
Dia quatorze acabou
Agora, pra onde vou?
Que triste realidade!
A princesa na verdade
Só queria ser aplaudida
A vida que era sofrida
Aumentou o sofrimento
Com fome e no relento
Nada melhorou na vida.
A Lei Áurea foi um marco
Nós não podemos negar
De a todos libertar
Daquele terrível charco,
No entanto, foi muito parco
Como ela aconteceu
Porque ninguém recebeu
Nada pra recomeçar
Tiveram que se virar
Só com o apoio dos seus.
Mesmo com mais de cem anos
Da Lei Áurea assinada
A luta ainda é travada
Dentro dos espaços urbanos
Lá ocorre sonhos e planos
Onde a maioria vive
Muitos ainda revivem
O resquício desse passado
Porque foram libertados
Porém de fato, não livres.
JOEL MARINHO