MAIS VALE NOVE PINTOS NAS MÃOS DO QUE UM PINTO VOANDO
Parece até clichê
O que aqui vou narrar
Uma anedota qualquer
De pinto que quer voar,
Porém escrevo a verdade,
Pois o que vi ontem à tarde
Fez-me rir até rachar.
Um casal que foi buscar
Para criar dez pintinhos
Presos dentro de uma caixa
Todos piando baixinho
Mas aí veio o espanto
Porque havia no trânsito
Uma pedra no caminho.
Ela com a caixa de pinto
Na garupa da motoca
Passando no corredor
Igual rio em pororoca,
Foi aí que aconteceu
No retrovisor bateu
Assim rachou a taboca.
Foi pinto pra todo lado
Se espalhando na pista
Carros e motos apitando
E os pintos a perder de vista
Ele gritava, me ajuda!
E foi um Deus nos acuda
Pegar os pintos egoístas.
Se escondiam entre os carros
E assim o trânsito parou
Pegaram três pintos pretos
E um outro bicolor
Enfim, os cinco amarelos
O outro levou o “farelo”
Nunca ninguém encontrou.
Mesmo zangados chegaram
Em casa dando risadas
Não pela perda do pinto,
Mas pela cena inusitada
Pega o pinto, agarra o pinto!
Entre aqueles labirintos
E a caixa toda arrebentada.
Isso não foi anedota
É verídico, estou afirmando
Só eu e o velho Freud
Estamos analisando
E chegamos à conclusão
Mais vale nove pintos nas mãos
Do que um pinto voando.
JOEL MARINHO