Joel Marinho
Entre letras e versos
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A FUGA DE SEU JOSÉ AO CABARÉ ENCANTADO

Seu José era um senhor

Pacato e muito ilibado

Desde seus dezoito anos

Com Josefa fora casado,

Porém a morte malvada

Levou sua bela amada

Da vida para o outro lado.

 

E foram cinquenta anos

De um casamento feliz

Ele sempre respeitoso

Um homem nobre, raiz

Construíram uma família

Com três filhos e cinco filhas

Como o figurino diz.

 

Perto dos setenta anos

Ainda estava pra jogo

De vez em quando subia

Em seu José aquele fogo,

Porém ele era seguro

Ficava em cima do muro

Com medo de ser demagogo.

 

Um dia ele pensou

Eu hoje vou ao bordel

Perdoe-me minha Josefa!

Sempre a você fui fiel,

Porém nessas circunstâncias

Vou fazer essa lambança

Perdoe-me, ó Deus do céu.

 

Recebeu seu aposento

E partiu pro cabaré

De vez em quando uma voz

Lhe dizia, ó José

Cuidado com as raparigas

Isso vai te causar intriga

Quem avisa amigo é.

 

Porém o fogo era grande

E ele chegou danado

Já perguntou para uma

Quanto é seu “caqueado”

Ela falou, são cem contos

Ele disse, então pronto

O negócio está fechado.

Zumira era o nome dela

Uma moça quarentona

Já era bem conhecida

Naquela bendita zona

Aí o bicho pegou

Seu José se apaixonou

Por aquela bela dona.

 

E todo final de mês

Ele vinha numa sede

Zulmira já preparava

Uma cama ou uma rede

E seu José animado

No cabaré encantado

Subindo pelas paredes.

 

Ficou muito conhecido

Lá na zona seu José

Dizem que ainda visita

Aquela bela mulher

Se ele visita ou não

Todos lá chamam de irmão

E o rei do cabaré.

 

Não que eu tenha ido lá

Eu nunca fui em bordel

Meu amigo que me contou

E a ele tiro o chapéu

Eu não minto nem aumento

Fake News eu não invento

Para escrever meu cordel.

JOEL MARINHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 08/06/2026
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