Joel Marinho
Entre letras e versos
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PRESERVEM A NOSSA MEMÓRIA

Ai, que saudade que sinto
Daquele tempo passado,
Ao redor de uma fogueira,
Todo mundo animado,
Gritando: viva São João!
Com um forró arretado.

 

A fogueira, a noite toda,
Queimava devagarinho.
Ao redor dela ocorria
Um simbólico carinho:
Pra ser compadre um do outro,
Primo, tio, mano e sobrinho.

 

A gente já esperava
O ano todo, ansioso,
O mês de junho chegar
Com seu gesto carinhoso,
E os jovens só queriam
Uns beijinhos duvidosos.

 

É, mas o tempo passou,
Já não existe fogueira,
Pamonha, mingau, canjica,
Não há nem mesmo na feira,
E, se disser isso a um jovem,
Ele diz: mas que besteira!

 

Tudo bem, eu sei que muda
Em toda nova geração,
Talvez eu seja obsoleto,
Carregando essa emoção,
Mas presente sem passado
Não mantém a tradição.

 

Sei que é só tagarelice
De um velho ultrapassado,
Six seven agora é moda,
Esse troço complicado.
Por isso, aqui eu me calo
Pra sua aura ser “farmado”.

 

Porém, deixo esse passado
Registrado na História.
Os meus cordéis mal rimados
Contam essa trajetória,
Antes que venha um Alzheimer
E leve a minha memória.

 

E, se daqui a cem anos
Isso por acaso ver,
Lembre-se que aqui passou
Alguém antes de você.
Não foi Machado de Assis,
Mas talvez valha a pena ler.

 

Preservar nosso passado
É um dever da História.
Eu sou o Joel Marinho,
Não estou querendo glória,
Mas, por favor, eu lhes peço:
Preservem a nossa memória!

JOEL MARINHO

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 21/06/2026
Alterado em 22/06/2026
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