A SOLIDÃO DO POETA
Há horas que a poesia
Some, abandona o poeta,
Igual joelho de atleta
Correndo em noite fria.
Nada flui, mente vazia,
Palavras perdem o sentido,
E o poeta abatido,
No oceano de tristeza,
Com um caderno na mesa,
Querendo ser preenchido.
Mas quando pinga a ideia
Pela ponta da caneta,
Não importa se azul ou preta,
Chega o fim da odisseia.
Basta uma onomatopeia
Que uma poesia aflora.
Sol desponta, nova aurora,
No raiar de um novo dia.
Chega ao fim dessa agonia,
E a solidão vai embora.
JOEL MARINHO