AINDA SOU RESISTÊNCIA
Me atrevo a fazer poesia
Do mesmo modo antigo
Que o português fazia.
A pena, essa mudou
Depois que veio a caneta,
A quem minha mão moldou.
Uma música, um copo de vinho,
Um toque de solidão,
Porém não estou sozinho.
Calíope toca meus ombros,
Érato me faz chamego,
Me tirando dos escombros.
Me chamem de obsoleto,
Velho e ultrapassado;
Um dia mudo, prometo.
Prometo que um dia mudo
Para as tecnologias;
Serei igual a todo mundo.
Mas, por enquanto, deixa!
Eu relembrar o passado
E, por favor, não me mexa!
Quero ser museu um dia,
Com caderno e um "Lusíadas",
Como o Camões fazia.
JOEL MARINHO