Sou filho do extremo norte,
Tenho orgulho do meu rincão,
Sem ciclone ou furacão,
Desses que rimam com a morte.
Eu diria: tenho sorte,
Me sinto perto do céu,
Pois Deus me tirou o véu
E me tornou cordelista;
Tudo que a vista avista
Vou transformando em cordel.
Uma vez veio um sem tino
E disse a mim: "Joel,
Como é que escreve cordel,
Se tu não és nordestino?"
Então falei: "Seu menino,
Você também não é baiano;
No entanto, se não me engano,
Você come acarajé.
Vá pra lá, seu Zé Mané,
De pensamento profano."
JOEL MARINHO