Joel Marinho
Entre letras e versos
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O “TABACO” DA DISCÓRDIA

Ó deusas da poesia,
Dê-me grande inspiração
Para versar essa história
De grande repercussão:
A aposta do “tabaco”,
Que acabou em confusão.

 

No dia que a seleção
Jogou contra a Noruega,
A emoção do momento,
Que o brasileiro carrega,
Um homem e uma mulher
Fugiram um pouco da regra.

 

Ela queria apostar
Tudo o que ela tinha:
Sua casinha humilde
Em uma velha motinha.
Ele falou: "Isso, não!
Quero outra coisa, vizinha."

 

Nessa hora lhe baixou
Deus do vinho, o velho Baco,
Sussurrou em seu ouvido:
"Aposta com ela o 'tabaco'
E confia no teu Brasil,
Também no seu próprio taco."

 

Assim, a aposta foi fechada
Com um aperto de mão,
Assinado em um caderno,
Pra não ter enganação.
E logo um pênalti abriria
O placar pra seleção.

 

Bruno correu para a bola,
Mas o goleiro pegou.
Naquele exato momento,
O rapaz se agoniou.
E naquele zero a zero,
O primeiro tempo acabou.

 

Começa o segundo tempo,
E o Brasil não acertava.
A cada chute errado,
O homem se agoniava.
E ela, muito quieta,
Pois uma moto ganhava.

 

Começa o segundo tempo
Com aquelas jogadas tolas.
Lá se vai um cruzamento,
O Brasil não tira a bola.
Acabou os nossos sonhos,
Bem na cabeça do “Rola”.

 

A cada minuto aumenta
A ansiedade do povo.
O hexa dando adeus
Pra Noruega, nosso estorvo.
Sobrou a bola pro “Rola”,
E o “Rola” entrou de novo.

 

Ainda fizemos gol
Do “menino aposentado”.
Porém, ali percebemos
Que era fato consumado.
Esperemos mais quatro anos
Pelo hexa tão esperado.

 

Voltemos para a aposta
Da moça com o rapaz,
Que lavara o “tabaco”
Pra aquele moço voraz.
Ele apostou no Brasil,
E aposta não se desfaz.

 

Disse ele: — É brincadeira,
Era uma fantasia.
Ela disse: — Não, senhor!
Para já de covardia.
Como não teve acordo,
Foi para a delegacia.

 

Logo abriu um B.O.
Contra o cara mentiroso,
Que achava se dar bem
Com o Brasil valoroso.
Se ele tivesse ganhado,
Estaria vanglorioso.

 

Depois da repercussão
Pelas redes sociais,
Reportagens em televisão,
Em revistas e jornais,
Ele se pronunciou,
Querendo voltar atrás.

 

Falou que ia cumprir
E acabar com a confusão.
Porém, a sua mulher
Foi para a televisão.
Disse: — A moto daqui não sai,
Nem esse filho do cão!

 

Agora o bicho pegou,
A confusão está formada.
E peia pra dez jumentos
Vão dar nesse camarada.

Por causa de um “tabaco”,
Ele caiu na cilada.

 

Porém, eu acho bem feito
Para “caboco” gaiato,
Se achando o mais esperto,
O mais bonito, mais gato.
Arma a arapuca e cai
Dentro dela como um pato.

 

Mas esse tal de tabaco
Fez gente desmoronar,
Desde os tempos de Abraão
Até chegarmos por cá.
Tal qual nossa seleção,
Fez muito “cabra” penar.

 

Eu mesmo, que não sou doido,
Apostar minha bicicleta
Com seu “tabaco” pra lá.
Quero mesmo é ser poeta.
Se eu perder meu pedal,
A “minha” mulher me acerta.

 

Fico por aqui, mas deixo
Um conselho bem amigo:
Pare com essas doidices,
Cuidado com o inimigo.
Eu sei que o “tabaco” é bom,
Mas é cheio de perigos.

JOEL MARINHO

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 11/07/2026
Alterado em 11/07/2026
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