SE MORRER MORRA DE PÉ
Nasci num rincão distante,
Cresci no meio do mato.
Entendi, desde criança,
Que pobre sofrer é fato.
Mas nunca me conformei,
Logo não me acomodei;
Estudar era meu ato.
Mas, para um menino pobre,
Que nasceu pra ser roceiro,
Estudar seria um “crime”.
No máximo, ia a pedreiro.
E o que sempre ouvia:
Que era Deus quem queria
Que não fosse fazendeiro.
Ele não se conformou,
Bateu asas e voou.
Foi estudar pra bem longe,
Onde a vida o colocou.
Mas, para seu desespero,
Antes ainda foi pedreiro;
Por muitas coisas passou.
Mas a vida não só bate,
Tem momentos de alegria.
Em meio à massa e tijolo,
Havia uma teimosia.
Foi assim que estudou
E outro rumo tomou,
Pra melhorar os seus dias.
Nada na vida é mágica,
Nunca é como se quer.
Se quer futuro melhor,
Corra atrás com muita fé.
Fé no seu potencial,
Porque o sistema é mal.
Se morrer, morra de pé.
JOEL MARINHO