MALDITO ALZHEIMER
Entre pensamentos difusos,
Procuro uma história perdida
Em gavetas empoeiradas,
Na parede da frágil memória.
Seria a glória de um rei,
Ou a alegria de uma tecelã,
Perto de um castelo medieval?
Tudo está tão embaralhado.
A xícara de chá, ali parada,
Me olhando atentamente,
Querendo despertar a mente.
Eu já a vi em outro momento.
Chega uma mulher sorrindo:
Mais dois comprimidos,
Para fazer eu dormir, será?
Ou para eu esquecer de vez?
Acordo e penso já ser outro dia,
Com os mesmos pensamentos,
Sem saber o que comi ontem,
Nem onde vi aquele castelo.
Qual o meu nome? Quem sou eu?
E quem é essa mulher sorridente?
Tenho a impressão de que já a vi,
Quando ela me chama de amor.
JOEL MARINHO