TE DEDICO MEUS POEMAS
Dá um vazio no peito
A cada verso que escrevo.
Como é pobre meu acervo,
Sinto-me como um suspeito,
Pois como pode um sujeito,
Nascido no "cafundó",
Se fosse nota, era dó,
É um "Zé Ninguém" qualquer.
Que audácia desse "Mané",
Quer ser poeta, olha só!
No entanto, a teimosia
Se tornou meu ponto forte.
Várias vezes vi a morte
Com a foice que alumia,
E disso fiz poesia,
Mesmo com rimas quebradas.
Em cada curva da estrada,
Caminho com humildade,
Mas, se a audácia me invade,
Eu deixo as páginas marcadas.
Da escrita fiz terapia,
Meu porto de liberdade.
Brinco com a dor da saudade
Nas asas da poesia.
Aos que me disseram um dia
Que eu era um sonhador,
E sonhar só nos traz dor,
Não fiz disso um dilema:
Lhes dedico meus poemas;
Sua fala me impulsionou.
Papagaio velho aprende
A falar com perfeição,
Se ganhar boa ração.
À velhice não se rende,
Pois o aprender depende
De uma oportunidade.
Pra quem tem boa vontade,
Muda o trajeto da vida,
Cicatriza as feridas,
Sem perder a humildade.
JOEL MARINHO