TUDO ESTÁ MUDADO
Depois de tempos distantes,
resolvi ir visitar
aquilo que foi meu lar,
onde hoje sou visitante.
A emoção do instante
fez uma lágrima cair.
Em pensamento, fugi,
lembrando do meu passado.
Tudo, porém, está mudado
no lugar onde cresci.
Onde era a minha casa,
hoje é fazenda de gado.
Tem uns bois amontoados
onde eu fazia uma pausa.
Um fogareiro em brasa:
meu mundo todo era ali.
Quantas emoções senti
em um banquinho sentado!
Tudo, porém, está mudado
no lugar onde cresci.
Os dois jambeiros que havia,
nem sinal existe mais.
Aquele armazém de trás,
que há tempos existia,
das minhas tardes vazias,
muito ali me diverti.
Nada daquilo que vi
tenho resquício encontrado.
Tudo, porém, está mudado
no lugar onde cresci.
As minhas belas jaqueiras
e as jacas que eu comia,
onde eu me divertia
nas minhas manhãs primeiras,
não têm nem eira, nem beira;
cupu, bacaba, açaí...
Tudo o que tinha ali
virou deserto assombrado.
Tudo, porém, está mudado
no lugar onde cresci.
Fiquei tempo observando,
sentindo as lágrimas rolar.
Suspirei, peguei um ar,
vi o tempo me abraçando,
o horizonte me olhando,
parece de mim sorrir.
Só me resta refletir
por aqui eu ter chegado.
Tudo, porém, está mudado
no lugar onde cresci.
JOEL MARINHO