DEIXO AQUI MEU DESAFIO
Na rima não sou maior,
Tampouco, fico pra trás.
Se não souber o que faz,
Leva surra de cipó.
Vou te deixar zuruó,
Se rimar descompassado.
Não vá chegar adoidado,
Cheio dos enxirimentos.
Que peia pra dez jumentos
Você vai levar dobrado.
Quando nasci, mamãe disse:
Esse cabra vai ser cantor,
No mínimo vira escritor
Ou inventa outras doidices.
E nesse disse me disse
Eu me tornei cordelista.
Se chamar, estou na pista,
Fazendo uns motes arretados.
Aonde eu for convidado,
Deixo o meu nome na lista.
Logo, não darei perdão
Quem vem com papo furado,
Com ego muito exaltado,
Se sentindo o mais grandão.
Não gastarei nem sermão.
Já sei, no primeiro mote,
Se foi um golpe de sorte
Ter chegado até aqui.
Não gosto de mimimi,
Como não gosto da morte.
Deixo aqui um desafio
Para quem quiser rimar.
Rime daí e eu de cá,
Sou correnteza de rio.
Mostre pra mim o seu brio,
Que o meu brio lhe garanto.
Não sou demônio nem santo,
Tenho um pé de cada lado.
Porém, cordel bem rimado
É o meu maior encanto.
JOEL MARINHO