DO MEU SOFRER FIZ POESIA
Quando criança, eu sonhava
De um dia ser bom cantor,
Porém, o tempo passou
E a voz nunca afinava,
Pois, quanto mais eu cantava,
A voz ficava mais rouca.
Diziam: lave essa boca,
Que uma hora a hora chega.
Se cuidar bem dessas pregas,
Seu sucesso desemboca.
Nunca aprendi a cantar,
Nem a tocar violão.
Caí foi na construção,
Aprendi a rebocar
E, lá no último andar,
Cantava desafinado.
Por cigarra, apelidado,
Ouvindo sempre um risinho,
Mas, como um bom passarinho,
Nunca me vi derrotado.
Não consegui ser cantor,
Porém, me instruí na rima.
Fiz dela uma obra-prima,
Com destreza e com louvor.
Da rima me fiz doutor,
Pintei ela de alegria.
Ela é a tela que me guia
E me traz contentamento.
Juntei o meu sofrimento
E fiz dele poesia.
JOEL MARINHO