Enquanto um ser de reflexão, eu tenho as minhas diariamente, e são tantas. Como, por exemplo: para que serve a religião, a política, a educação no sentido geral, a vida, a escolarização.
É lógico que, de tempo em tempo, coisas que antes faziam sentido em uma outra geração não fazem mais sentido à geração atual; alguns preconceitos são combatidos nos rigores das leis, enquanto novos são criados, pois assim é a vida humana: uma invenção, uma reinvenção, mas sempre um novo aprendizado.
Dentro dessas perspectivas, estive pensando esses dias, refletindo sobre o sentido do saber acadêmico: ainda vale a pena pensar nisso para essa sociedade do imediatismo e rapidez de Inteligência Artificial? Vale a pena ser professor, lidando com vários alunos diariamente que não conseguem entender um sentido a esse tipo de saber?
Do meu ponto de vista, enquanto professor, às vezes tenho a impressão de estar remando contra ondas gigantes no Havaí, vendo uma enorme pedra e meu corpo se aproximando, já pronto para estatelar-se. É uma impressão de sufocamento frente à força que meus braços já não conseguem resistir.
Um fone nos ouvidos da(o) aluna(o), que está pouco interessado em ouvir a minha voz e os temas históricos, os quais estão contidos em seu livro, que jamais leu. É uma tentativa vã de quem ainda acredita na mudança por meio do conhecimento; por isso, sofremos. Assim, me surgiu a pergunta reflexiva: ainda vale a pena continuar?
Lógico que, vez ou outra, há alguns alunos que nos trazem um pouco de pensamento positivo, dão sinais, mesmo acanhados, de que prestaram atenção nas aulas e que, de certa forma, isso está fazendo a diferença na vida dela(e). São essas esperanças que ainda nos dão aquele ar de que viemos à tona respirar, para não submergir totalmente à onda gigante.
Ainda vale a pena?
JOEL MARINHO