MINHA BRONCA COM ADÃO
Até hoje eu não consigo
Entender o tal de Adão
Com um paraíso inteirinho
Pra sua satisfação
Ele acorda de manhã
Resolve comer maçã
É ser muito sem noção.
Se ao menos fosse uma jaca,
Uma manga ou bacuri,
Um cupuaçu com açúcar,
Uma tigela de açaí,
Uma bacaba com farinha,
Pra tomar de manhãzinha,
Bem antes do sol sair.
Mas não, o peste comeu
O diabo de uma maçã.
A bicha é tão desgostosa
Do que dançar com irmã.
Eu juro que não entendo
Esse erro tão horrendo,
Ferrando com o amanhã.
Mas o que mais me chateia
Com esse cabra abestado
É que ele se ferrou,
Porém, pelo seu pecado,
Eu, que nem sou seu parente,
Nunca falei com serpente,
Também acabei ferrado.
JOEL MARINHO