Joel Marinho
Entre letras e versos
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Textos

TENHO CIÚMES SIM

Às vezes não aparento ter,

mas tenho ciúmes, sim.

Ciúmes de quem amo,

ciúmes das minhas coisas,

ciúmes do que escrevo.

Mas sei: escritos precisam fluir.

 

Certo dia, escrevi

algo exclusivamente para mim.

Falava sobre estrelas,

sobre sonhos,

essas coisas “bobas”

que todo mundo pensa.

 

Pensei em guardá-lo,

“matá-lo” no caderno,

no HD do computador.

Mas foi mais forte que eu.

Então, publiquei-o

nas redes sociais.

 

O que era meu criou braços,

tal qual um polvo,

e se multiplicou.

Foram tantos donos

que eu gelei e falei:

 

— Mas era só meu

esse doce e singelo poema!

 

Ainda fiquei bravo,

mas desisti.

Ele precisa fluir.

 

O poema nasce,

nasce para florir.

Só de vez em quando volta

para abraçar o poeta

e se mandar.

 

 

Quanto mais abraços ganha,

mais ele cresce

e fica feliz.

 

 

Mas vou confessar:

tenho um ciúme danado

dos poemas que escrevo.

 

 

Usem-nos,

mas deixem-nos voltar!

JOEL MARINHO

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 09/09/2026
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