TENHO CIÚMES SIM
Às vezes não aparento ter,
mas tenho ciúmes, sim.
Ciúmes de quem amo,
ciúmes das minhas coisas,
ciúmes do que escrevo.
Mas sei: escritos precisam fluir.
Certo dia, escrevi
algo exclusivamente para mim.
Falava sobre estrelas,
sobre sonhos,
essas coisas “bobas”
que todo mundo pensa.
Pensei em guardá-lo,
“matá-lo” no caderno,
no HD do computador.
Mas foi mais forte que eu.
Então, publiquei-o
nas redes sociais.
O que era meu criou braços,
tal qual um polvo,
e se multiplicou.
Foram tantos donos
que eu gelei e falei:
— Mas era só meu
esse doce e singelo poema!
Ainda fiquei bravo,
mas desisti.
Ele precisa fluir.
O poema nasce,
nasce para florir.
Só de vez em quando volta
para abraçar o poeta
e se mandar.
Quanto mais abraços ganha,
mais ele cresce
e fica feliz.
Mas vou confessar:
tenho um ciúme danado
dos poemas que escrevo.
Usem-nos,
mas deixem-nos voltar!
JOEL MARINHO