Joel Marinho
Entre letras e versos
Capa Meu Diário Textos Áudios Fotos Perfil Contato Links
Textos

UMA DOCE LOUCURA

Tomamos para nós cada dor, tentamos resolver cada angústia, buscamos entender o porquê daquela reação e, por vezes, compreendemos a falta de um abraço através de palavras que possam confortar alguns corações aflitos. Por vezes, nem temos a dimensão de nossas palavras, das broncas, dos conselhos e do sorriso acompanhado de um: “Calma, que vai dar tudo certo no final”.

 

Às vezes, passam alguns anos até reencontrarmos nossos alunos em outras ocasiões. Em muitos casos, já pais e mães de família, professores, médicos, engenheiros, policiais, enfermeiros, psicólogos, motoristas, frentistas, enfim, totalmente diferentes de quando estavam em sala de aula. Geralmente, nos surpreendemos ao ver aqueles jovens que eram vistos como quem “não queria nada” em uma profissão de excelência e com uma mudança radical em relação ao seu tempo de adolescência.

 

E o impacto chega a nós quando eles dizem: “Professor, aquela aula, aquela conversa, aquele puxão de orelha, aquele conselho que me fez chorar mudou o rumo da minha vida. Ali, com aquelas palavras, o senhor me fez enxergar outros horizontes e me transformou em uma pessoa melhor, em alguém capaz de acreditar que é possível lutar por dias melhores”. Isso é um bálsamo ao nosso coração e um alento à nossa alma.

 

Penso que é principalmente isso uma das causas que nos fazem sentir tamanha utilidade em ser professor. É ver o crescimento de nossos alunos e a felicidade estampada no rosto de cada um deles, simbolizada em um sorriso de agradecimento.

 

Todos os anos, nessa data simbólica do Dia dos Professores, 15 de outubro, faço uma breve reflexão: ainda vale a pena ser professor? Ou é só o salário — que, por sinal, nem sempre corresponde à importância e às exigências da profissão — que ainda nos move e nos faz permanecer dentro de uma sala de aula, entediados com a vida?

 

Em um mundo onde a economia acompanha a lógica do capitalismo, é lógico que trabalhamos para manter as dívidas e as nossas necessidades em dia, mas, quando falamos de fato sobre profissão, ser professor alcança uma dimensão bem mais complexa do que resumir tudo a um único fator.

 

Ser professor é, como diz o título, “UMA DOCE LOUCURA”. Uma dimensão que vai além do olhar reducionista de um único aspecto, como dinheiro, amor, vocação, dom, missão. Ser professor talvez seja tudo isso, mas sem romantização que possa reduzir a profissão a ponto de ser desvalorizada por parte da população brasileira.

FELIZ DIA DOS PROFESSORES!

JOEL MARINHO

Joel Marinho
Enviado por Joel Marinho em 15/10/2026
Comentários