MERITOCRACIA?
Toda vez que eu ouço meritocracia,
Falta o ar e vai a mil minha pressão.
Me pergunto quem foi o filho do cão
Que inventou essa grande heresia.
Se eu o encontrasse algum dia,
Falaria poucas e boas em sua cara.
A vontade é de cobri-lo de vara,
Mas ainda sobra um resto de razão.
Assim sendo, finco os dois pés no chão
Para não queimá-lo vivo numa coivara.
Eu que vim de uma pobreza assombrante,
Passei fome por não ter alimentação,
Peguei pássaro de arapuca e de alçapão
Pra matar a maldita fome humilhante.
Como eu ia disputar com um gigante,
Sendo eu só um mirrado, um anão?
Meritocracia me soa contradição:
É jogar dois guerreiros lado a lado,
Só que um cheio de armas, equipado;
Já o outro vai à guerra só com as mãos.
Não me venha com esse papo ideal,
Que só serve para fazer boi dormir.
Cai fora, não me irrite, sai daqui,
Que me tremo e já fico passando mal!
Falar disso em um país tão desigual
Me arrebenta e acaba a minha alegria.
Porém, sonho com a igualdade um dia
E que todos tenham a mesma oportunidade.
Nesse dia, deixará de ser maldade
Esse mal chamado meritocracia.
JOEL MARINHO